A vida é dona de uma ironia maior que a do Eça. Ainda assim, cada vez que leio os seus romances, consigo rir-me sozinha. Na verdade, nem o maior irónico é capaz de se igualar àquilo que lhe toma as rédeas e o dirige. Na verdade, nem o mais melancólico sabe de verdade o que é a tristeza.
A ironia impede-nos de rir de alegria.
A melancolia impede-nos de chorar de tristeza.
E ainda assim, são dois sentimentos que nos prendem a uma rede que parece impossibilitada de sofrer mudanças... Serão sentimentos? Todos os sentimos na pele, mas não os geramos sozinhos...
Algo me diz que estão para além dos nossos sentidos.
18/02/2013
"The hills are alive"
Talvez seja o facto de já não ter de querer agradar... Talvez seja o facto de já não haver muito mais para ultrapassar para concretizar o mais próximo dos meus sonhos... E isso traz clareza ao nevoeiro!
Começamos o dia a nascer de novo, a acordar de um momento morto; vivemos cada dia a pisar um chão ao qual nem damos valor, para o qual muitas vezes não olhamos, mas o qual nos pode fazer tropeçar; olhamos e não vemos - vemos mas não sentimos, sabemos e não pensamos.
Vivemos hoje, e, amanhã, a vida é de outro. Desperdiçamos uma oportunidade e outra surge. Mas os caminhos que se seguem, esses nunca se cruzarão de novo.
Ouvimos os sons e os silêncios que cortam respirações... Mas fartei. Quero-os como a banda sonora que torna cada dia uma película a guardar na estante, que crescerá em prateleiras assim como aumentam as imagens que gosto de, e quero, recordar outra e outra vez.
Porque há quem valha a pena, assim como cada pessoa tem mil e uma funções, dependendo do ponto de vista que se toma, vale a pena o isolar ser só, e quando não há ninguém em redor.
11/01/2012
Tesourinhos 2011 II - Sociedade e ironia - "Sociedade, um enigma de muitas opiniões"
Dedicado à Troika/FMI/ a quem se safa no meio disto tudo...
SC, 2011
"Aquilo de que é, e sempre foi, inevitável falar, seja qual for o momento da vida do ser humano – a sociedade – é agora, como muitas vezes no passado, um assunto delicado e em considerada crise de identidade.
Todas as acções e os espaços que ocupam no tempo e no mundo, moldam uma sociedade, fazendo com que, num globo em que já nem o mar separa povos, existam vários desses pontos de concentração de ideais hierarquizados, que cada vez são mais divergentes: antes tentavam-se unir ultrapassando os lapsos geográficos que os separavam, e, agora, tentam-se unir ultrapassando os lapsos de concordância ideológica.
Nunca fora de contexto ou desactualizado como tema, a sociedade sofre de pontos demasiado fracos que a fazem recuar, muitas vezes, sem fazer por isso. Ou talvez seja esse o mal.
Pensa-se em sociedade enquanto uma bolha isolada: os seus limites são bem definidos, e nada do que possa acontecer para lá da sua barreira afecta o seu conteúdo. E é assim, com um pensamento isolado num mundo, que não o é, que se chega à chamada crise. Existem biliões de corpos a passearem-se por esse planeta, a maior parte deles sem terem uma luz interior na sua mente que os incite a pensar além de si, além do seu refúgio na humanidade. Num mundo em que uma guerra pode acontecer por uma chamada telefónica, é essencial ter-se a noção de que as fronteiras não existem na realidade e que se trata tudo do mesmo: pessoas com necessidades e idéias próprias - ou pelo menos assim se esperava – e todas elas têm o direito àquilo que lhes foi dado incondicionalmente: a vida.
Como um sábio filósofo disse, “Deve ser feito o maior bem para o maior número” – Stuart Mill. Sábio, não só pelo conjunto da frase, mas também pela última das suas palavras: número. Se as sociedades hoje se encontram em crise, para lá de questões de culto, educação e espaço geográfico, armamento, política, entre outras, encontra-se uma razão que acompanha cada passo que se dá no dia a dia: a sociedade já não é feita de pessoas, mas de números. Já pouco importa a essência do indíviduo, mas sim o que dele poderá provir, sendo esse conjunto de gente a que se chama sociedade, um jogo de interesses, ao contrário do refúgio que era suposto ser para a integridade humana.
Recuando no tempo, as sociedades viviam com pouco conhecimento umas das outras. E os problemas provenientes de cada uma eram pouco ou nada respeitantes a outra. Mas houve necessidade de mais, e aí entrou em cena o rol de pecados mortais que é devorado pelos atentos cristãos que por esse mundo devem andar esquecidos ou escondidos: a luxúria, a inveja, a ira e a vaidade levaram aos gloriosos impérios mortos que figuram em todos os livros de História como grandes manchas coloridas a tingir o Mapa Mundi. No entanto, para gerir uma sociedade, tem de haver alguém com poderes superiores aos do comum ser social. Mas nem todos os seres sociais podem ter esse escalão, e, então, formou-se uma hierarquia: do rei ao escravo. A partir do momento que tomam o mais alto lugar, passam a exercer a gestão de interesses, que leva a um profundo trabalho do soberano, se não tivesse este mais que fazer do que ostentar a sua sociedade e deixar a sua gestão para os braços dos que trabalham para ela. E a avareza e a preguiça tomaram lugar.
É verdade que os Reis já só são figuras de estado, agora, como verdadeiro e único objectivo. E é verdade, também, que a escravidão, para o Homem menos atento, já acabou. Mas os pecados mortais continuam a existir, tornando-se mortais para toda a sociedade que os alimentar.
Não necessitando de recuar longas massas de tempo cobertas de pó, tem-se noção do avanço que o conhecimento sofreu ao longo da evolução do mundo: começou por se evoluir lentamente, milénio por milénio; mais tarde, o Homem descobre aluz na sombra numa questão de centenas de anos; e, para os mais atentos, desde há pouco mais de um século, o avanço salta de década em década, dando o conhecimento passos de gigante. Existem testemunhos disso, e todos os dias quando chegam a casa do trabalho os cumprimentamos.
E a sociedade cai em modas. A moda é conquistar e embriagam-se os homens, a quem se dá a espada, de ódio e testoesterona. A moda é descobrir e instrui-se um povo até então levemente ignorante para a Epopeia. A moda é revolução, e não se aceitam palavras que não as de ordem – “Liberté, Igualité, Fraternité!”. A moda é ter olhos claros e cabelo louro, para uma raça pura, mesmo que cientificamente impossivel, e condenam-se massas humanas como se esborracha uma barata com a sola do sapato. A moda é poder, e invadem-se povos com a brilhante desculpa de ser um auxílio. E a sociedade cai em extremos, extremos estes que dificilmente se alteram, dadas as variantes que a sociedade tem de satisfazer.
Mas nem tudo é mau. Ainda existe quem, neste mundo da sociedade, seja original e tenha a capacidade de sobreviver. E são estes tão loucos como os que desviam as sociedades para o lado errado, e no entanto têm a capacidade que falta às brilhantes mentes anteriores: são lúcidos, mesmo sonhando com a mudança, tornando-a possível. Porque necessária já o é.
Falando de algo que nos toca, agora mais do que nunca, que é feito da sociedade se está a gerar, da nossa geração ainda verde que será a sociedade futura? Na minha opinião, está envenenada: a formatação de saber que nos é imposta torna-nos seres incapazes de pensar, adquirindo saberes como dogmas e sem capacidade de os relacionar sem fontes de direcção, muitas vezes; estamos profundamente enraizados em ideologias perdidas e em modas, já não produzindo nada de novo, mas apenas, sim, dizendo sem qualquer sabor ou noção as palavras que outros disseram com fulgor; sabendo que somos números, tentamos, ou temos de ser o maior para ser alguém, já pouco nos importando em ser gente, já pouco nos lembrando de ter valores próprios, e quem somos cai na vulgaridade de ser o que ostentamos: marcas em série e ideias compradas; as revoluções não passam do convívio de botequins em praça pública: gritamos as palavras que alguém publicou e nos pareceram fortes e chamativas, sem saber sequer ao que vão dar, enquanto agarramos uma cerveja.
Terminando com o meu ponto de vista, é tempo de se fazerem mudanças, mas as mudanças não acontecem sozinhas, nem sem vontade de muitos. Nós, a geração que está a ver tudo acontecer tão rapidamente, por caminhos tão sinuosos, e ouvimos os relatos daqueles que viram imagens semelhantes, e têm palavras de esperança a dar, deveriamos começar um novo rumo, alcançar novos valores que não apenas aqueles que chamam a atenção, mas aqueles que são os pequenos detalhes das acções frutíferas e úteis, moderar o conhecimento para o que é realmente importante e não para desperdícios intitulados guerra, e, acima de tudo, aprender não a ditar saber, mas a construir o saber de gerência e vivência em sociedade, livres, pensantes e capazes de organizar as nossas ideias, sendo cooperantes com o próximo, aceitando ideias e construindo, não como uma utopia, mas sim como uma realidade, a aldeia global, fazendo das diferenças um ponto de convergância saudável.
Devemos ter a noção do nosso lugar na sociedade, não só local, como mundial, e cooperar com acções de união, evolução e altruísmo, medindo-as com intenção não só individual, mas transcendente a isso, não perdendo a nossa individualidade nem esmagando outras opiniões, focando uma evolução geral e positiva – formando um mundo universalmente adaptado a todos e a cada um, ou pelo menos, próximo disso."
Tesourinhos 2011
"Não é conhecido nenhum ser humano sem a capacidade de pensar – ainda que limitado, todo o ser humado é dotado de mente – e, no entanto, é raro aquele que tem a irreverência de o fazer.
Ao saber reflectir sobre o que nos rodeia, tornamo-nos mais capazes de agir, tornamo-nos mais participantes no que queremos ser.
Se aprendemos a pensar por nós, aprendemos a ver o Mundo, a conhecer as pessoas, a fazer escolhas e a defini-las; aprendendo a pensar por nós próprios, não necessitamos que alguém pense por nós, adoptando modas e padrões que aceitamos sem qualquer reserva, pois são esses os requisitos minímos de dada geração. No entanto, isso não nos torna alguém. Somos alguém a partir do momento em que o nosso pensamento se forma e a partir do momento em que não seguimos uma moda que não seja a nossa própria. De que serve votar se não conseguimos medir os prós e os contras dessa escolha? É este um dos típicos casos do pensamento não instruído. Devemos questionar, relacionar conhecimentos, discuti-los. Assim, aprendemos a formar-nos enquanto pessoas, enquanto seres pensantes; assim, sabemos quem serão aqueles que serão os melhores líderes, não só para nós, mas para quem nos rodeia. Aí sim, tornamo-nos livres de escolha, por mérito.
É a pensar que se renovam as ideias, formam-se leis, inventam-se teorias, aumenta-se o conhecimento, a visão do mundo alarga-se para lá de qualquer fronteira. Deixamos de ser o ser limitado ao animal e às necessidades terrenas – libertamo-nos das ideias pré-concebidas, escolhemos o caminho que mais felizes nos faz, discutimos o mundo e a vida ainda que só meditando interiormente. E, assim, somos capazes de lhe dar o nosso significado, libertando-nos das ideias formatadas pela sociedade, adquirindo as regras desta, mas formatando-as à nossa visão, e não a nossa visão.
Se temos a capacidade de pensar, não a deviamos desperdiçar a adoptar modas dirigidas por alguém, como dogmas. Se formos bem a ver, esse alguém, muitas vezes, nem a sua moda usa. São ideias já mastigadas e gastas por toda a gente; são uma prisão de tendências.
A liberdade está em termos a opção de escolha, de seguir o nosso caminho e não as pegadas de outro, originando um novo rumo."
Há dias em que acordo sem vontade, em que abro os olhos a custo, em que me apetece ser peso morto nas molas da cama até estas me marcarem o corpo. Nesses mesmos dias, arrasto-me com esforço pelos deveres, a impaciência leva-me ao esgotamento e tudo parece demorar 3 horas a cada 5 minutos que dura. É nestes dias que me apetece virar uma gotinha de âmbar ressequida, perdida algures, onde nada se passe, nada mude e nada se transforme, perdida para a eternidade.
Mas isso também durava muito tempo.
No entanto, há outros dias em que acordo antes do despertador, em que me apetece continuar a sentir o fofo dos cobertores e o quente da cama, mas em que gosto de olhar para a luz que entra pelas frechas da persiana. Nesses mesmos outros dias, todo o movimento me parece significante, o caminho fascina a cada pequenino detalhe, e perco-me no tempo. É nestes outros dias que me aptece entrar de cabeça no mar, perder-me entre matos e florestas, olhar o sol e ver o horizonte poente a limitar tudo de cor e limites de luz, perdida para a eternidade.
Mas isso dura pouco tempo, esgotasse.
E por isso mesmo, já nem eu sei definir o que é bom ou mau. É subjectivo.
E o que é subjectivo, nunca será admitido, "correcto" - o consenso é uma ilusão. E a ilusão move a ignorância à verdade. Como é então?
Será a vida feita de vontades? Ou de insanidades?
Lamento
As pedras chorariam se pudessem ver quem as pisa. Decerto a chuva não cairia e as ondas não se moveriam se as pedras chorassem. Quase aposto que o ar desapareceria com o vento se a chuva não caísse e as ondas não se movessem. Aposto, com toda a certeza, que o Homem não seria capaz de viver se o ar desaparecesse no vento.
Certamente o Homem teria vergonha se as pedras chorassem por ele as pisar. Certamente se aperceberia da sua indigna altivez sobre tudo o que o rodeia. Certamente aprenderia a olhar mais vezes em frente e para baixo do que para cima, para o que aspira ser e não é, ignorando esse facto.
Por vezes não é o que fascina que é fascinante. Por vezes... Quase sempre. Não, provavelmente será todas as vezes.
Entrar na mente de todos os que a escondem por detrás de actos indeferidos, atrás da sua magnitude imóvel e impotência de camuflagem... É como ver o que não se quer.
Já querer perceber o outro e não conseguir, é como caminhar no escuro: ter os olhos completamente abertos e atentos, e ser como se estivessem cerrados com todas as forças.
O mais impressionante é não entenderem que já percebemos, e ao acharem-nos no escuro de pálpebras escancaradas, fecham as suas e tapam um buraco exageradamente grande com ramagens pequenas demais.
"Parvo não é sinónimo de estúpido... Parvo significa "pequeno"."; hoje foste pequeno demais ao caires no buraco que tu próprio camuflaste.
2011, Outubro
08/01/2012
06/11/2011
Fascinante
Seria, de facto, um daqueles contos de fadas "nonsense", tudo o que se tem passado, ser contado. Mas tenho a dizer que nunca a sorte me trouxe coisas tão boas. Que nunca aspirei chegar ao que cheguei. Que nunca pensei voltar a chorar por ver o sorriso de um "alguém". E as cores voltaram.
Talvez não esteja tudo comprometido. Talvez não seja em mim a mudança.
Talvez ainda exista um espaço a ser preenchido, algures, no vazio.
Ela sorri com os olhos quando chora com as palavras; dança ao vento enquanto a chuva se lhe enrola no cabelo; baralha as folhas de Outono enquanto passeia sobre o verde; ilude a areia enquanto desliza os calcanhares nas ondas; é leve brisa de cabeça em turbilhão. E que seria dela se não soubesse que não sabe quem é, mas sabendo o que sabe comparando-se com o que a rodeia? Que seria dela sem a confusão em que se consome? Quem seria se não fosse o rugir do vento dentro da mais pacata casa...
E feliz na sua angústia, passeia pensativa pela melancolia da breve vida, sem saber, contudo, a medida do finito. Que finalidade é a da caracterização do ser mutável? Para quê dizer que somos velhos ou novos, se de tanta relatividade isso se faz... Passa a vida a escutar o quão individual é, mas, no fundo, só as comparações ouve. Será defeito ou feitio do ser? Ser assim tão perdidamente apática ao envolvente...
E pelos rochedos pica os pés em sangue e sente o fofo do algodão... E pelo caminho tropeça e continua ,como se esforço não fizesse... A finalidade não é o fim do caminho. O destino é a distância.
Sem saber onde vai, sabe o caminho que percorre. Porque sem saber o que é a água, as nuvens a soltam sobre a terra. E a tempestade começa, surda. Somente a luz se espalha no horizonte, como se o resto do ambiente fosse tão imutável que não acordasse com ela. A raiva muda sofre da dor que envenena.
Quando chegar ao fim do caminho, descobre que começa outro, onde os seus cabelos voltam a esvoaçar livres ao vento, em ondas mais perfeitas que marés, com um brilho, mais límpido que o da água, nos olhos, e um gesto, mais nobre que o mais velho mareante, nos lábios. Os seus pés, pensativos da derrota e nostálgicos da vitória, anunciam movimento. E mover-se-ão, até que o chão não se deixe tocar mais por eles.
04/10/2011
Chega o momento.
Parece que existe um lapso de tempo entre o momento em que te conhecia ti, a quem está ao teu lado, a quem me põe a mão no ombro, a quem me chora num abraço sentido, a quem me pede para ficar só mais um pouco, a quem quer que volte... Entre tudo isso e o momento em que me realizei do facto de ser possivel, de tudo o que lutei realmente ter valido a pena. Afinal, não é o que somos, é o que fizémos para o ser.
Eu procurei a felicidade na tristeza, para ser feliz sabendo que o sou. E encontrei o que precisava.
Cheguei à primeira fase da meta.
Parece que foi ontem que a tracei, e, no entanto, escorreram anos desde então.
Lembro-me de tudo, e tudo tão bem. Talvez algumas coisas difusas.
O mais duro mostrou-me a essência do que vale a pena.
Os bons momentos provocam choro, saudade, melancolia... Nostalgia. Mas a verdade é que antes esses que os momentos piores. E nisso, concretizei-me. Sou triste porque sou feliz.
É algo que não se explica, porque simplesmente faz sentido assim ser. É daquelas coisas interiores à própria condição humana.
É tão bom ver o nascer do dia, e sentir o calor do sol na pele, tão de leve, assim como o vento a cantar pelos nossos cabelos, sentir finalmente.
Agora sei que posso ser quem eu quiser, basta querer. E para querer, basta-me saber que sou capaz de mim.
O mais angustiante não é estar na sombra, é estar na sombra e ver a luz tão perto e tão longe. Poder abrir os olhos, mas não haver impulso para deixar o passivo.
É bom por uma vez respirar o ar com cheiro a novidade, como a própria palavra pretende materializar o que isso é.
A inspiração pode estar escassa, e o resultado vê-se a léguas... Mas é uma condição limitada.
A inspiração pode estar escassa, e o resultado vê-se a léguas... Mas é uma condição limitada.
"My God's name is LIFE!"
18/09/2011
Há momentos em que sentimos que precisamos de uma mudança... Urgentemente.
Sabemos, também, que a mudança acontecerá. Mas somos demasiado ansiosos para esperar, e a incoerência assola a mente humana...
Será que mudar a cor do cabelo mudará algo? Não, só a cor do cabelo...
E experimentare e... Tatuar uma perna? Só vai deixar uma marca para a vida... Mais uma...
Só se... Sair para um sitio qualquer longíquo! Ah, liberdade. Mas o bolso está vazio... E depressa voltaria à ânsia do pão-nosso-de-cada-dia...
É saber que está tão perto, e, ainda assim, duvidar do que acontecerá; é saber que chegou, mas não saber o quê; é saber o que quero, espero e é provável que aconteça, mas não ver o futuro e ter a tranquila (só às vezes) certeza.
Algo virá, é certo. Mas e depois?
É nestas alturas que se torna difícil saber dizer o que é mais fácil: partir ou ficar.
Partir para um novo começo que apague os erros, ao menos os mais suplicantes de tal, que reformate a vida e o seu sentido; que lho dê verdadeiramente.
Ou ficar, para mais um sem número de rumos imaginados que nunca se desenlaçam como deviam; que quando o fazem, é uma alegria de vitória. Mas nunca se alcança a plena alegria. Nunca é verdadeiramente satisfatório...
Nunca se sabe se o lugar para onde se parte, não será o próximo em que se tem a mesma questão... Ficar ou partir... E partir, para onde? Porquê?
Não, isso não é importante. Importante é o "valerá a pena?".
Sim, vale. Quando se trata de ocupar o espaço vazio que todo o ser tem, vale. Só resta saber o que tem a sua forma, e o que o ocupa só para o manter acomodado, funcionando como um veneno.
Só quero desenvenenar o meu espírito, para encontrar o que o ocupa, de aresta em aresta.
26/08/2011
Um debate sobre rap e derivados
"pessoal so sabe criticar, inventar e criticar
assim ate parece facil rimar
e so estupidificar
e alguma coisa vai ficar
yooo!"
06/08/2011
Speechless
There are times when your mouth comes too dry of saying nothing. And there are times your lips won't have the strenght to shut up. Sometimes when you most need it. Awfully bright isn't it? Indeed.
You may think you have said everything, and still you need to speak. So badly...
You may have all of your answers, but you'll never reach the moment you stop using a question mark in the end of your sentences.
So...
What is the reason behind your need to talk? Even when all you wanted, beyond being all you need at the moment, is to be shut...
May people talk everytime, or is it mostly like a drug?... The drug of slicing our thoughts sometimes, reaching the so not wanted, yet needed, silence from the cutting machine?
Is it true that speechless always ends meaning loneliness?
Who's going to put away this question mark, now...
You may think you have said everything, and still you need to speak. So badly...
You may have all of your answers, but you'll never reach the moment you stop using a question mark in the end of your sentences.
So...
What is the reason behind your need to talk? Even when all you wanted, beyond being all you need at the moment, is to be shut...
May people talk everytime, or is it mostly like a drug?... The drug of slicing our thoughts sometimes, reaching the so not wanted, yet needed, silence from the cutting machine?
Is it true that speechless always ends meaning loneliness?
Who's going to put away this question mark, now...
Quem me dera...
"Quem me dera não ter olhos nem cabeça nem pescoço
e nunca me pudesse deitar e tudo me impedisse de olhar o céu
quem me dera arder e ser cinzas espalhadas
num qualquer ganges perto de casa
sei que olhando o céu não posso agarrar uma estrela
mas poeira que fosse eu próprio me poderia fazer numa
moldando com as minhas mãos cansadas um barro muito limpo e verde
e reluzir ao universo inteiro gritando a toda hora
mas tudo isto não tem sentido
tudo isto é ridículo
tudo isto é fumo no ar ou a efabulação triste
de um rio junto às casas onde um dia sentimos
um no outro a pele doce do fim"
Frederico Mira George
29/07/2011
Ironia
Sabendo que este mundo se move a todo um conjunto de regras, parâmetros, e outros sinónimos, é engraçado reparar que todos o geram, mas ninguém o cumpre. Neste momento cada um faz o que quer, publicitando o quão aceso é o direito que tem de tal. Mas por acaso alguém sabe o que quer?
Tudo se move através interesses. Que se calem teorias heliocentristas ou geocentristas. O homem é o novo centro de si. Novo? Não. Mas só agora teve coragem para se assumir, como se um adolescente reprimido com a sexualidade fosse: hey, eu sou assim, e agora vou fazer o que quiser, porque eu posso, porque não és mais que eu.
Seria fácil ser assim, não fosse o facto de que ele também não é mais que o outro.
É tudo comparável a um supermercado global: está tudo à mão, mas temos duas escolhas - ou saimos de sorrateiro, não olhando aos meios para atingir o fim, ou pagamos e somos o tipico cumpridor. É fácil ver como o próprio dono do supermercado se rouba a si mesmo.
Fosse tão linear, e o mundo não era uma laranja recortada - seria qualquer coisa menos suave, mais exacto.
Um dia, com tanta indecisão, esquecemo-nos de respirar. Peço desculpa, tal já acontece, no momento em que nos esquecemos que "o ar é de todos".
Engraçado como somos sempre tão altruístas, mas nunca deixamos de lixar de lixar o outro para sermos quem queremos ser: alguém melhor que ele, mesmo que sejamos piores.
Já é um bocado tarde demais para virem com adoçantes. A vida não é um café eternamente quente; as coisas esfriam, e o açúcar já não faz nada. É triste ver a chávena já meia bebida e abandonada ao balcão.
Se queremos tanta igualdade, qual é a ideia por de trás do egoísmo que assalta toda a alminha desta terra?
Será tão difícil assim acreditar que vivemos todos da mesma maneira, pisamos todos a mesma poeira, e que lixar o outro é ter o bilhete para que nos lixem?
Peço desculpa o nível, mas não é com palavras caras que a coisa lá vai. Não é com textinhos bonitos que todos guardam e apresentam em discursos que se dizem as verdades directamente, muito menos se fazem leis por pessoas para pessoas. Muito menos se geram pessoas que o sejam...
Deviam ter vergonha na cara de acharem que o são. Mas, mais uma vez, neste sítio onde a vergonha se compra e está esgotada, já toda a gente a tem, mas agora e moda, é tecido da Pérsia.
Abram os olhos, decidam-se, sejam alguém.
Sejam alguém de jeito.
E vá lá, parem de lixar a vida de uma pessoa. Ela já é lixada por natureza.
"Karma is a b****", mas as pessoas são piores.
Tudo se move através interesses. Que se calem teorias heliocentristas ou geocentristas. O homem é o novo centro de si. Novo? Não. Mas só agora teve coragem para se assumir, como se um adolescente reprimido com a sexualidade fosse: hey, eu sou assim, e agora vou fazer o que quiser, porque eu posso, porque não és mais que eu.
Seria fácil ser assim, não fosse o facto de que ele também não é mais que o outro.
É tudo comparável a um supermercado global: está tudo à mão, mas temos duas escolhas - ou saimos de sorrateiro, não olhando aos meios para atingir o fim, ou pagamos e somos o tipico cumpridor. É fácil ver como o próprio dono do supermercado se rouba a si mesmo.
Fosse tão linear, e o mundo não era uma laranja recortada - seria qualquer coisa menos suave, mais exacto.
Um dia, com tanta indecisão, esquecemo-nos de respirar. Peço desculpa, tal já acontece, no momento em que nos esquecemos que "o ar é de todos".
Engraçado como somos sempre tão altruístas, mas nunca deixamos de lixar de lixar o outro para sermos quem queremos ser: alguém melhor que ele, mesmo que sejamos piores.
Já é um bocado tarde demais para virem com adoçantes. A vida não é um café eternamente quente; as coisas esfriam, e o açúcar já não faz nada. É triste ver a chávena já meia bebida e abandonada ao balcão.
Se queremos tanta igualdade, qual é a ideia por de trás do egoísmo que assalta toda a alminha desta terra?
Será tão difícil assim acreditar que vivemos todos da mesma maneira, pisamos todos a mesma poeira, e que lixar o outro é ter o bilhete para que nos lixem?
Peço desculpa o nível, mas não é com palavras caras que a coisa lá vai. Não é com textinhos bonitos que todos guardam e apresentam em discursos que se dizem as verdades directamente, muito menos se fazem leis por pessoas para pessoas. Muito menos se geram pessoas que o sejam...
Deviam ter vergonha na cara de acharem que o são. Mas, mais uma vez, neste sítio onde a vergonha se compra e está esgotada, já toda a gente a tem, mas agora e moda, é tecido da Pérsia.
Abram os olhos, decidam-se, sejam alguém.
Sejam alguém de jeito.
E vá lá, parem de lixar a vida de uma pessoa. Ela já é lixada por natureza.
"Karma is a b****", mas as pessoas são piores.
17/07/2011
Às vezes temos de abrir os olhos a nós mesmos
Não quero saber do que me queiras dizer. Não quero saber se até agora pensei mais do que agi.
Por vezes devemos esquecer a sensação para o sentimento. Por vezes devemos deixar de ser nós.
Pelo menos até se perceber por que raio a solidão persegue aqueles que mais acompanhados estão.
Podia estar rodeada de um país inteiro, e precisar de uma só pessoa. Na realidade, é assim que estou, e disso que preciso.
Mas será assim tão linear?
Não.
Se fosse, não seria também linear a forma de tal acontecer?
Se estou a sofrer de uma baixa térmica que me congelou os circuitos todos, lamento. Acontece que o mundo que tenho de viver cá fora começa a enjoar, tal e qual a minha viagem por ele, sempre aos solavancos. Ao menos uma vez na vida, mereço fazer algo por mim. Só por mim.
Às vezes é necessário ser tão egoísta ao ponto de nos esquecermos de nós no mesmo momento em que nos esquecemos dos outros. Talvez por isso se diga que o mundo agora é "tecnológico"... Pode-se dizer que uma comunidade se forma numa pessoa que a lidera. Pois a realidade que vejo é a de biliões de comunidades presas em cada um dos biliões de habitantes deste calhau.
Já cansa levar as pancadas que outros não estão cá para levar.
Não me vitimizo, apenas anuncio a mim própria que dispenso quem sou por uns tempos.
Quando se estudam outras culturas, tenta-se manter a distância delas, para não misturarmos os parâmetros básicos com os do estudo em si. Mas onde é que nesta realidade existe cultura?
Assim sendo, não há risco de me perder nela e adaptá-la.
Quero só por um momento conseguir ignorar todos, esquecer o que quer que seja, lavar a ferida e acordar.
Na realidade, acordar é uma etapa já alcançada. O resto vem por arrasto.
Lamento se durante um tempo parecer alguém que não tenha cabimento na minha pessoa. As razões são mais que muitas.
Não, calma.
A razão é só uma: fazer o que quero. Desta vez. Agora. Porque assim quis.
Se algo que ninguém vê, nem actua com prova de que exista, leva pessoas a actuar cegamente, a minha força de vontade padece das mesmas características. Seja ela para mim, tal como esse Deus para quem o acusa de realidade.
Sinto-me no nível sagrado da condição humanada da ignorância. E isso deixa-me feliz, porque não aspiro a sê-lo por saber como foi tudo parar a este caus que faz da vida uma autêntica tortura.
É dificil viver com a visão com um diâmetro mais largo do que o meu próprio umbigo, ja que nenhum umbigo neste mundo se parece interceptar, metaforicamente falando. Por isso, porque não experimentar essa visão umbical só por um pouco?
De certo será uma experiência e tanto.
Por vezes devemos esquecer a sensação para o sentimento. Por vezes devemos deixar de ser nós.
Pelo menos até se perceber por que raio a solidão persegue aqueles que mais acompanhados estão.
Podia estar rodeada de um país inteiro, e precisar de uma só pessoa. Na realidade, é assim que estou, e disso que preciso.
Mas será assim tão linear?
Não.
Se fosse, não seria também linear a forma de tal acontecer?
Se estou a sofrer de uma baixa térmica que me congelou os circuitos todos, lamento. Acontece que o mundo que tenho de viver cá fora começa a enjoar, tal e qual a minha viagem por ele, sempre aos solavancos. Ao menos uma vez na vida, mereço fazer algo por mim. Só por mim.
Às vezes é necessário ser tão egoísta ao ponto de nos esquecermos de nós no mesmo momento em que nos esquecemos dos outros. Talvez por isso se diga que o mundo agora é "tecnológico"... Pode-se dizer que uma comunidade se forma numa pessoa que a lidera. Pois a realidade que vejo é a de biliões de comunidades presas em cada um dos biliões de habitantes deste calhau.
Já cansa levar as pancadas que outros não estão cá para levar.
Não me vitimizo, apenas anuncio a mim própria que dispenso quem sou por uns tempos.
Quando se estudam outras culturas, tenta-se manter a distância delas, para não misturarmos os parâmetros básicos com os do estudo em si. Mas onde é que nesta realidade existe cultura?
Assim sendo, não há risco de me perder nela e adaptá-la.
Quero só por um momento conseguir ignorar todos, esquecer o que quer que seja, lavar a ferida e acordar.
Na realidade, acordar é uma etapa já alcançada. O resto vem por arrasto.
Lamento se durante um tempo parecer alguém que não tenha cabimento na minha pessoa. As razões são mais que muitas.
Não, calma.
A razão é só uma: fazer o que quero. Desta vez. Agora. Porque assim quis.
Se algo que ninguém vê, nem actua com prova de que exista, leva pessoas a actuar cegamente, a minha força de vontade padece das mesmas características. Seja ela para mim, tal como esse Deus para quem o acusa de realidade.
Sinto-me no nível sagrado da condição humanada da ignorância. E isso deixa-me feliz, porque não aspiro a sê-lo por saber como foi tudo parar a este caus que faz da vida uma autêntica tortura.
É dificil viver com a visão com um diâmetro mais largo do que o meu próprio umbigo, ja que nenhum umbigo neste mundo se parece interceptar, metaforicamente falando. Por isso, porque não experimentar essa visão umbical só por um pouco?
De certo será uma experiência e tanto.
Subscrever:
Mensagens (Atom)