11/01/2012

Tesourinhos 2011

 "Não é conhecido nenhum ser humano sem a capacidade de pensar – ainda que limitado, todo o ser humado é dotado de mente – e, no entanto, é raro aquele que tem a irreverência de o fazer.
                Ao saber reflectir sobre o que nos rodeia, tornamo-nos mais capazes de agir, tornamo-nos mais participantes no que queremos ser.
                Se aprendemos a pensar por nós, aprendemos a ver o Mundo, a conhecer as pessoas, a fazer escolhas e a defini-las; aprendendo a pensar por nós próprios, não necessitamos que alguém pense por nós, adoptando modas e padrões que aceitamos sem qualquer reserva, pois são esses os requisitos minímos de dada geração. No entanto, isso não nos torna alguém. Somos alguém a partir do momento em que o nosso pensamento se forma e a partir do momento em que não seguimos uma moda que não seja a nossa própria. De que serve votar se não conseguimos medir os prós e os contras dessa escolha? É este um dos típicos casos do pensamento não instruído. Devemos questionar, relacionar conhecimentos, discuti-los. Assim, aprendemos a formar-nos enquanto pessoas, enquanto seres pensantes; assim, sabemos quem serão aqueles que serão os melhores líderes, não só para nós, mas para quem nos rodeia. Aí sim, tornamo-nos livres de escolha, por mérito.
                É a pensar que se renovam as ideias, formam-se leis, inventam-se teorias, aumenta-se o conhecimento, a visão do mundo alarga-se para lá de qualquer fronteira. Deixamos de ser o ser limitado ao animal e às necessidades terrenas – libertamo-nos das ideias pré-concebidas, escolhemos o caminho que mais felizes nos faz, discutimos o mundo e a vida ainda que só meditando interiormente. E, assim, somos capazes de lhe dar o nosso significado, libertando-nos das ideias formatadas pela sociedade, adquirindo as regras desta, mas formatando-as à nossa visão, e não a nossa visão.
                Se temos a capacidade de pensar, não a deviamos desperdiçar a adoptar modas dirigidas por alguém, como dogmas. Se formos bem a ver, esse alguém, muitas vezes, nem a sua moda usa. São ideias já mastigadas e gastas por toda a gente; são uma prisão de tendências.
                 A liberdade está em termos a opção de escolha, de seguir o nosso caminho e não as pegadas de outro, originando um novo rumo."