As pedras chorariam se pudessem ver quem as pisa. Decerto a chuva não cairia e as ondas não se moveriam se as pedras chorassem. Quase aposto que o ar desapareceria com o vento se a chuva não caísse e as ondas não se movessem. Aposto, com toda a certeza, que o Homem não seria capaz de viver se o ar desaparecesse no vento.
Certamente o Homem teria vergonha se as pedras chorassem por ele as pisar. Certamente se aperceberia da sua indigna altivez sobre tudo o que o rodeia. Certamente aprenderia a olhar mais vezes em frente e para baixo do que para cima, para o que aspira ser e não é, ignorando esse facto.
Por vezes não é o que fascina que é fascinante. Por vezes... Quase sempre. Não, provavelmente será todas as vezes.
Entrar na mente de todos os que a escondem por detrás de actos indeferidos, atrás da sua magnitude imóvel e impotência de camuflagem... É como ver o que não se quer.
Já querer perceber o outro e não conseguir, é como caminhar no escuro: ter os olhos completamente abertos e atentos, e ser como se estivessem cerrados com todas as forças.
O mais impressionante é não entenderem que já percebemos, e ao acharem-nos no escuro de pálpebras escancaradas, fecham as suas e tapam um buraco exageradamente grande com ramagens pequenas demais.
"Parvo não é sinónimo de estúpido... Parvo significa "pequeno"."; hoje foste pequeno demais ao caires no buraco que tu próprio camuflaste.
2011, Outubro