17/07/2011

Às vezes temos de abrir os olhos a nós mesmos

Não quero saber do que me queiras dizer. Não quero saber se até agora pensei mais do que agi.

Por vezes devemos esquecer a sensação para o sentimento. Por vezes devemos deixar de ser nós.
Pelo menos até se perceber por que raio a solidão persegue aqueles que mais acompanhados estão.

Podia estar rodeada de um país inteiro, e precisar de uma só pessoa. Na realidade, é assim que estou, e disso que preciso.

Mas será assim tão linear?
Não.

Se fosse, não seria também linear a forma de tal acontecer?

Se estou a sofrer de uma baixa térmica que me congelou os circuitos todos, lamento. Acontece que o mundo que tenho de viver cá fora começa a enjoar, tal e qual a minha viagem por ele, sempre aos solavancos. Ao menos uma vez na vida, mereço fazer algo por mim. Só por mim.

Às vezes é necessário ser tão egoísta ao ponto de nos esquecermos de nós no mesmo momento em que nos esquecemos dos outros. Talvez por isso se diga que o mundo agora é "tecnológico"... Pode-se dizer que uma comunidade se forma numa pessoa que a lidera. Pois a realidade que vejo é a de biliões de comunidades presas em cada um dos biliões de habitantes deste calhau.

Já cansa levar as pancadas que outros não estão cá para levar.
Não me vitimizo, apenas anuncio a mim própria que dispenso quem sou por uns tempos.

Quando se estudam outras culturas, tenta-se manter a distância delas, para não misturarmos os parâmetros básicos com os do estudo em si. Mas onde é que nesta realidade existe cultura?
Assim sendo, não há risco de me perder nela e adaptá-la.

Quero só por um momento conseguir ignorar todos, esquecer o que quer que seja, lavar a ferida e acordar.

Na realidade, acordar é uma etapa já alcançada. O resto vem por arrasto.

Lamento se durante um tempo parecer alguém que não tenha cabimento na minha pessoa. As razões são mais que muitas.
Não, calma.
A razão é só uma: fazer o que quero. Desta vez. Agora. Porque assim quis.

Se algo que ninguém vê, nem actua com prova de que exista, leva pessoas a actuar cegamente, a minha força de vontade padece das mesmas características. Seja ela para mim, tal como esse Deus para quem o acusa de realidade.

Sinto-me no nível sagrado da condição humanada da ignorância. E isso deixa-me feliz, porque não aspiro a sê-lo por saber como foi tudo parar a este caus que faz da vida uma autêntica tortura.

É dificil viver com a visão com um diâmetro mais largo do que o meu próprio umbigo, ja que nenhum umbigo neste mundo se parece interceptar, metaforicamente falando. Por isso, porque não experimentar essa visão umbical só por um pouco?

De certo será uma experiência e tanto.