11/01/2012

Há dias em que acordo sem vontade, em que abro os olhos a custo, em que me apetece ser peso morto nas molas da cama até estas me marcarem o corpo. Nesses mesmos dias, arrasto-me com esforço pelos deveres, a impaciência leva-me ao esgotamento e tudo parece demorar 3 horas a cada 5 minutos que dura. É nestes dias que me apetece virar uma gotinha de âmbar ressequida, perdida algures, onde nada se passe, nada mude e nada se transforme, perdida para a eternidade.

Mas isso também durava muito tempo.

No entanto, há outros dias em que acordo antes do despertador, em que me apetece continuar a sentir o fofo dos cobertores e o quente da cama, mas em que gosto de olhar para a luz que entra pelas frechas da persiana. Nesses mesmos outros dias, todo o movimento me parece significante, o caminho fascina a cada pequenino detalhe, e perco-me no tempo. É nestes outros dias que me aptece entrar de cabeça no mar, perder-me entre matos e florestas, olhar o sol e ver o horizonte poente a limitar tudo de cor e limites de luz, perdida para a eternidade.

Mas isso dura pouco tempo, esgotasse.

E por isso mesmo, já nem eu sei definir o que é bom ou mau. É subjectivo.

E o que é subjectivo, nunca será admitido, "correcto" - o consenso é uma ilusão. E a ilusão move a ignorância à verdade. Como é então?

Será a vida feita de vontades? Ou de insanidades?