25/01/2011

Estático

Estático!

Tudo parou,
E um grito oco e mudo ecoou.

Ninguém o ouviu, mas todos o dizem sentir;
Faz parte desses olhos límpidos e vidrados,
Que espelham a imagem que ninguém viu vir...

Foi-se entranhando...
Deu esperança de reparo a esses espelhos estilhaçados,
Quebrados em mil e um cantos de um fino tilintar...
Toque cristalino e agudo que se foi dissipando,
Nesse ar em que há mais a pensar...
Mais a fazer...

Nessa pura consciência estática,
Em que um momento de prazer
Trouxe um outro de contemplação...
Ou será ilusão?

Momento em que o mundo acaba e as questões começam;
Momento perdido em que a práctica
De adivinhar a realidade certa, se faz
Contemplando esse outro que sentiu e não pensou.
Esse outro que em mim jaz...

E um turbilhão ataca, furiosamente
O que outrora estava sonhando profundamente,
O que antes não falava;
O que agora se realiza dessa acção,
Não lhe sabendo dar uma conotação real.

E, no entanto, essas duas partes sou eu,
Agi e nem sei que parte quis ou cedeu
A esse desejo que jamais seria completamente meu...

E na indiferença da incógnita, o mundo gira,
E ignoram-se as questões.
É passado, já não faz parte da minha mira
Para o presente; Nada muda
O tempo não passa, e o que ontem é, certamente hoje seria...
É continuar a vivê-lo nesse seu tempo estático,
Conquistar o seu toque de magia
Mito para mover vontades;
Vontades para esquecer realidades...

E o mundo voltou ao normal.