Perdi-me nos momentos em que se perdiam os outros, fiz sonata de uma comédia de terror, parei no tempo em que todos corriam, fiquei para última, e agora que todos acabaram, começo eu, sabendo as pedras e os buracos que na areia, a olho nu, desenham as suas formas, e molho de leve a ponta dos pés na água que agora se mostra calma e com ondulação de quem se esquece que o tempo passa, admiro o horizonte onde não distingo nem o céu nem o mar, e sinto-me bem com isso, já não me importa. E, no fundo,o que procurava era alguém que sempre cá esteve, o que queria era o que sempre pude ter e o que me fazia falta era eu. Admiro por completo os elementos que nunca souberam ser, mas eram tudo o que me rodeava. Cada segundo que passo agora sozinha, dou valor ao que sempre olhei mas não via concretamente. De súbito, um mundo maravilhoso desenhou-se, coloriu-se e animou-se em meu redor, e eu.. Eu faço parte!
24/12/2010