É nos momentos mais tristes ou confusos que me encontro no meio da multidão, e encontro aquilo que me faz escrever ou falar.
Falar para uma audiência comprada ou dar entrevistas à espera de reacção da parte dos outros não é nada. Apenas o desabafo conta e vale alguma coisa.
É quando somos chegados aos momentos que mais exigem de nós, àqueles que nos pedem uma decisão, àqueles em que o passo é somente nosso, que aquela espécie de vazio e melancolia atraiçoa a vitória do caminho. As certezas desvanecem-se; enquanto outrora nos sentimos grandes da força de vontade e da luta pelo objetivo mais nobre aos nossos olhos, agora somos pequeninos, mais ainda do que um grão ligeiro de poeira. Queremos levantar voo ou largar do pó para fora, mas isso seria futuro e deparamo-nos é com o presente: fazer uma escolha.
É dificil chegar a este ponto. Olhamos para trás e parece que tudo o que fizémos, tudo o que fomos, tudo o que aprendemos, foi tão pouco. Tomamos noção de que não foi nem o começo. Parece tudo um imenso defeito, uma nódoa. E depois olhamos para tudo isso com o factor geral, com as pessoas que vimos e que fizeram parte disso, com as parvoíces (assim chamamos a tudo o que é demasiado genuíno e bom para nós ao ponto de nos embaraçar), aos extremos, seja qual fôr a sua direcção. E aí aparecem as qualidades, o porquê de não desistirmos tantas vezes que chegámos ao limite. Não éramos mais que simples iniciados à vida, seremos seres viventes em plenitude, mas agora não somos nem uma coisa nem outra. Sabemos, mas não o suficiente.
Sei que o que se escreve na areia não resiste a todas as marés, que as palavras são dicionários (escondem outros significados e o desconhecido para quem as ouve), que quem somos depende de nós, e nós dependemos dos outros e de onde acentam as nossas raízes. Sei, também, que todos temos um lar. Casas e famílias e lugares, existem muitos. Mas é sempre o inicío de algo que acabará.
Um dia encontrarei o meu lar. Por agora, apenas o ambiciono. Mas começa tudo numa decisão na qual devia pensar, a qual devia medir. Talvez arrisque demais, mas agora que a devia ambicionar com todas as forças, deixo para depois. Continuarei o esforço, mas não pensarei mais no futuro que no presente.
Depois decidirei.
Quem me conhece, no verdadeiro sentido da palavra e sem expressões adquiridas, sabe que serei sempre a mais orgulhosa de todos os amigos que tenho.
Quem não conhece, tire as conclusões que quiser. Se forem as erradas, não me preocuparei em corrigi-las, tão pouco me preocuparei a tentar decifrar tal pessoa.
Gosto de ser "viajante". A vida não é estacionária, porque o haveriamos de ser nós?