22/05/2011

Não será tudo assim?...

"(...) Despidos de carga humana, livres de doenças e da morte e vacinados contra o fracasso, os chamados winners profissionais, paladinos do êxito individual, caçadores de fortuna, fama e prestígio, apóstolos de uma sociedade onde, de acordo com o seu credo, não são necessárias lutas nem ideologias porque já conseguimos tocar o céu com as mãos. Para não afugentar o dinheiro do grande público, esta pseudo-estética nascida da avidez pelas vendas atém-se saborosamente a uma espécie de manual de censura e de auto-censura que tem por norma o asséptico e por método o politicamente correcto e que o agente e crítico literário Thomas Colchie denominou realismo capitalista. Desde o realismo socialista, afirma Colchie, que não existia um código propagandístico tão impositivo e devastador como este realismo capitalista que domina a literatura comercial de hoje, por razões distintas das do realismo socialista, se é que não chegam a ser as mesmas: este como propaganda estatal, o outro como propaganda comercial, um e outro a expensas do humano. Parafernália de marketing, que reduz o ser humano a um boneco de peluche."

Laura Restrepo