Antes, tantas vezes planeando, tinha certezas. Muitas podiam não ser certas, mas acreditava e as coisas aconteciam.
Agora, cada passo que me aproxima do que quero, ou pelo menos queria, me afasta da sua consciência...
O Mundo parece-me um grande navio, balançando num mar furioso, e eu, um pequenino berlinde que revolto gira no convés, sem saber qual a direcção...
De certo pouco tenho... E esse pouco parece afastar-se, por vezes sem entender o mínimo sentido do que digo. Se há coisa que não digo, é o que não sinto. E a mentir sou má. Há quem o possa testemunhar, mesmo que poucas pessoas...
Quanto mais perto fico do alvo, menos certeiro é o tiro...
Pressões, amizades pretensiosas, "graxas", movimentos injustos... Números... Quando foi que o Homem deixou de sentir?
"O coração não sente". Sim, é só um monte de tecido, fibras, células que nem vemos, hormonas e infinitas coisas que são meramente arranjos químicos de elementos perfeitamente ajustados. Nada disso sente. Mas e a alma? Essa não tem hormonas, nem o que quer que seja o resto... E nem se atrevam a dizer que é orientada por isso, porque tal hipótese é falível.
E então, quem somos nós? Um monte de química inaplicável à vida? Posso mover-me no mundo das ciências como se fosse a terra onde nasci e sempre vivi, mas não o faço como cega. Recuso-me a aceitá-lo.
E, no entanto, é esse mesmo mundo que me prende aos meus problemas e aos meus demais conflitos pessoais. Bastava tudo de três simples palavras: "és quem queres"; e eu era feliz.
O mundo que antes via como um lugar com lugares ainda encobertos, tornou-se esterco com pequenos diamantes a luzir a sua sujidade...