Letra escrita a sangue sobre pele multicolor
Tenra e doce ou desgastada e marcada
Lixa que não deixa de raspar
Nesse ser que não tem direito a pensar
Nem ser alguém
Rasga e mói
Em todos nós um pedaço destrói
Vinca e passa a ferro toda a camisa amarrotada
Apaga da vida o fervor
Essa sociedade cannibalia que de nós tira o melhor...
Coça, arranha, arranca de nós quem somos
Formatados e controlados passamos a ser
Quem é, não é quem foi
Quem vê no reflexo, não é o que quer ver
Quem queríamos ser, nunca fomos...
E quem conhecemos é ninguém
E a fábrica de seres humanos abre portas
Rotina sem interesse
Palas cegas de olhos já mudos
Quem me dera que a cannibalia um dia perecesse
Eu pudesse ser quem quisesse
E não houvesse ninguém de palas guiadas
Vias traçadas
Ou mudanças impostas
Por essas mentes habilidosas de poder, mas tortas
É troca de favores
Mercado negro de caridade suja
Mercenários de algibeira que se aproveitam
Doutores de ferro que enferruja
Dizei não
A esta sociedade rançosa
De mil discursos mentirosa
Cannibalia de contas bancárias
Finge obras humanitárias
Para bolsos rotos
Que param no seu chão
Mostrai agora a vossa cara
Dai à mudança louvoures