14/05/2010

Cannibalia

Letra escrita a sangue sobre pele multicolor

Tenra e doce ou desgastada e marcada

Lixa que não deixa de raspar

Nesse ser que não tem direito a pensar

Nem ser alguém

Rasga e mói

Em todos nós um pedaço destrói

Vinca e passa a ferro toda a camisa amarrotada

Apaga da vida o fervor

Essa sociedade cannibalia que de nós tira o melhor...

Coça, arranha, arranca de nós quem somos

Formatados e controlados passamos a ser

Quem é, não é quem foi

Quem vê no reflexo, não é o que quer ver

Quem queríamos ser, nunca fomos...

E quem conhecemos é ninguém

E a fábrica de seres humanos abre portas

Rotina sem interesse

Palas cegas de olhos já mudos

Quem me dera que a cannibalia um dia perecesse

Eu pudesse ser quem quisesse

E não houvesse ninguém de palas guiadas

Vias traçadas

Ou mudanças impostas

Por essas mentes habilidosas de poder, mas tortas

É troca de favores

Mercado negro de caridade suja

Mercenários de algibeira que se aproveitam

Doutores de ferro que enferruja

Dizei não

A esta sociedade rançosa

De mil discursos mentirosa

Cannibalia de contas bancárias

Finge obras humanitárias

Para bolsos rotos

Que param no seu chão

Mostrai agora a vossa cara

Dai à mudança louvoures