Quem sabe, não serás tu a alma de tudo aquilo em que procurei.
Milhentas perguntas percorrem cada canto do meu pensamento, como se de um gigantesco tráfego a esgotar-se para o nada se tratasse. Pode não parecer, mas estou confusa.
O passado ainda me afecta sem a certeza de que acabou. É algo que não posso negar, e se o fizesse, mentiria negando. Mas em pouco tempo, esse tráfego seguiu um sentido, as questões mudaram, e parte do passado desprendeu-se do tempo e apagou-se no espaço. Em pouco tempo percebi que o passado pode não estar totalmente enterrado, que os meus medos de seguir em frente podem fazer-me tropeçar no silêncio, mas que, por agora, uma certeza tenho: não te quero perder, seja de que maneira for.
Se há pessoas mais opostas, não há dúvida nenhuma de que somos exemplo disso. E no entanto, algo em ti me reteve.
Somente eu sei o quanto me enervas com certas expressões, ou o quanto, por vezes, me pareces completamente despropositado. Ou os ciúmes que por vezes me atacam como flechas em chama...
O passado interpõe-se em tudo, é o que faz de nós o que somos ou o que queremos ser. Podem ter sido palavras ditas por outro, muitas vezes que podiam ser excusadas, mas quando as vejo em ti, a sensação que me percorre é a mesma... Sabendo que não comparo ninguém, o medo de que te perca a ti como perdi alguém que menos significado tivesse, faz-me dizer palavras muitas vezes com sentido dúbio. Palavras erradas para o momento e para a explicação. O que realmente sinto, acho que nunca poderás perceber.
Dias passam que uma simples sensação da alma, de um abraço teu ou de te poder ter a meu lado, são o ponto alto do dia. Quem quiser achar triste, ache. Para mim, é uma promessa de melhores e mais preenchidos dias.
Sou um ser caótico e tenho noção disso. Comento tudo e nem sempre do modo mais simpático. Duvido de tudo, questiono o mais infímo detalhe. A altas horas da noite lembro-me de sair com qualquer coisa que por vezes mais valia nem sequer alto pensar. Nem pensar, se calhar. Mesmo que não sejas a pessoa mais tolerante a isso, ajudas bastante. Posso já o ter dito a muita gente, mas a forma como o sinto é sempre diferente. Felizmente tenho gente assim na minha vida. Gente que me faz controlar esse caus e tentar ser um pouco melhor. Nisso agradeço.
Tive medo, e nem assim a teimosia se debateu. Além de caótica tenho mau feitio e por vezes tenho dias. É só pontos a meu favor.
No meio do medo, descobri uma palavra que subitamente voltou a ter o sentido que outrora teve, em tempos que jurei esquecer e apagar. Tempos que prometi a mim encerrar com tempos melhores ainda. Na verdade, os momentos não se superam, apenas são diferentes. Dependendo da altura, são bons ou maus. E dependendo da pessoa com quem se partilham, são intensos ou não.
A intensidade cá está. A pessoa, cá estará. E a palavra, essa ainda não é constituida por letras, paira só na minha cabeça cada vez que penso em ti, provocando uma sensação de conforto. Parece-me que um "amo-te" basta. Talvez.
Há bastante tempo que não o proferia. Há mais tempo ainda não o proferia com verdadeira vontade. Obrigada.
Quanto aos defeitos... Toda a gente os tem. Dizemos sempre que nunca mudamos por ninguém, e quando damos por nós, alguém nos mudou, nem que por nos ter mostrado um pouco do seu mundo.
Posso parecer exagerada, barata tonta, completamente desanexada e imcompreensivel, filosófica demais, sempre na tecla de que este mundo está perdido e as pessoas não passam de estuque mal feito preso a uma parede podre e arruínada. Talvez não o fosse se não sentisse. Talvez não o fosse se não me significasses nada.
Talvez isto, para qualquer pessoa, pareça ter sentido nenhum. Para mim, tem o sentido que te dou, que por ser para ti, só tu podes saber o quão imenso é.
"É a falar que a gente se entende", e é falando para fora que os outros sabem de nós e de si.