20/03/2011

As coisas mudam, mas o mundo em que mudaram é o mesmo.

Podem sempre dizer quem são, o que fazem, o que lhes tira e o que lhes dá vida... Podem desejar, mal ou bem, podem fazer e acontecer... Podem ser piratas de alguém ou o seu salvador...

De que importa?... Serão sempre quem são... É inato. A vontade é inata. E essa, dificilmente se muda...

Podiam dar ao impaciente a capacidade de não ansiar a ansiedade. Mas ele passaria a ansiar o tempo morto...
Podiam dar ao mudo letrado voz. Mas saberia ele como falar?... Diria o mesmo que escreve?...
Dêem ao cego luz e visão! Mas quererá ele ver o que tem pela frente?...

Não dêem uma razão, e sem ela há motivo para revolta... Para uma mudança que nem utópica é. Para algo que nem existe...

Provavelmente, quem mais pensa, menos verdadeiro é... Mais mede o que tem a dizer, menos genuíno e directo se torna...
No entanto, eles não pensam e falam. E verdadeiros não são.

Se um pesadelo é um sonho mau, não será um sonho um pesadelo bom? De que é feita, realmente, esta realidade diferente para cada um?

A liberdade já é nossa, e nós prendemo-nos...

Somos livres de pensar, de falar, de mostrar quem somos, de ser quem queremos. Somos livres de exigir o que achamos melhor para nós, de lutar pelos nossos ideais.
E o que fazemos? Submetemo-nos a modas que nem o seu criador usa. Deixamos de pensar, para que ninguém se oponha, e submetemo-nos a quem achamos que o faz. Ideias copiadas, desejos ouvidos algures, mentes formatadas com ideias ingeridas e regurgitadas nelas...

Somos tão livres no tempo, e tão presos à nossa ignorância e ao que fizémos dele.

Queremos liberdade de expressão e originamos tabus.
Queremos mudança, e as acções resumem-se a reuniões de cerveja, ganza e inércia em praça pública. E são estas acções que pretendem fazer algo.
Podem não fazer mais do alto do semicírculo de São Bento, mas certamente ainda não chegaram a tamanho "patriotismo".

A febra dada de graça em comícios podia alimentar as bocas dos pobres nas calçadas do Chiado.
Os fundos das publicidades dos partidos e os fatos de marca com que se apresentam, tão desnecessários, podiam diminuir o desemprego. Não é um panfleto esmagado contra as pedras da calçada que mudarão as convicções de alguém. E daí, talvez a abstinência tenha uma razão...

Antes a cerveja fosse lucidez. Antes os principios de quem nos libertou ainda fossem genuínos.

O extremismo, mesmo que com a suavidade que sempre há neste país, em comparação com o mundo lá fora, só leva a uma coisa: nada.

Um país não é feito de partidos, nem campanhas, nem "diz-que-disse".
Partidos... Não passam de uma questão de direcção: esquerda ou direita. São só pessoas.

Devia, sim, ser feito de pessoas iguais, com as mesmas condições de acesso à humanidade, à vida; pessoas não condenadas por idade, feitio, conta bancária, família...; pessoas indistintas pelo que ostentam; pessoas que discutissem uma maneira de geralizar os bens e o avanço, não uma forma de levarem os seus ideais mortos e ressequidos avante.
Antes diziam "Liberdade, Igualdade, Freternidade".

Somos livres, fomos iguais, e nunca chegámos a ser fraternos entre nós.