Sempre ouvi dizer que uma pessoa que faz más acções é castigada pela vida... Não concordo.
O Homem é determinado por natureza a ser capaz de tanta coisa, mas não de tudo. E essa incapacidade do todo leva-nos a pensar, e a acreditar, num "destino", em algo que nos guia quando não tomamos as decisões que se realizam: é como que o nosso piloto automático.
Não acredito no destino dessa forma, nem na forma de força toda-poderosa, a controlar-nos cosmicamente (ironia). A vida é uma condição que deve ser vista como um Deus que nos guia, se o soubermos guiar também, mesmo não o sendo. Não tem o poder de nos castigar e repreender ou glorificar e dar palmadinhas nas costas pelo que fazemos: as acções que tomamos têm.
Para todo o ser humano que se preze dessa condição - isto é, que se considere cabeça pensante e não apenas portadora de fios coloridos - existem más acções e boas acções. Mesmo que possam ter conotações diferentes, o humano está sob a alçada de algo extremamente irritante por vezes, mas que o leva a adoptar alguns valores - a sociedade - e é nesta que as acções são classificadas consoante esse grande grupo. É intrínseco a cada um de nós.
Toda as pessoas, no seu geral senso de quererem ser elas próprias, dizem que o seu ponto de vista é diferente, e por isso acham que serão diferentes por alertar e agir por dentro dos "tabus" - se a acção for algo que a sociedade vê como má, talvez se faça uma diferença, porque o bom já está muito visto e desvalorizado.
À parte de críticas, o ser, sentindo-se bem com a atitude que toma, continua a ter noção, mesmo que ínfima, de que é errado o que faz. É um peso que o consciente pode não ter noção de carregar, mas o inconsciente tem. Dado que o pensar é partilhado por ambos, mais tarde ou mais cedo as acções revelam-se uma confusão dos dois: e então apercebemo-nos, mesmo que não o expressando, que errámos.
Não é a vida que se dá ao trabalho de nos castugar por acções "erradas" que tomámos; somos nós próprios.
O ser humano é tão complexo que, ao não se conseguir explicar, enverga por caminhos abstractos que tenta tornar realidade, ao caminhar por eles.
O destino não passa da fé do ser humano naquilo de que é capaz ou não; não passa da esperança atraiçoada pelo desdém pela vida: quando já não há vontade, mas ainda há sonhos e objectivos, seja o destino a levar-nos até eles. Fala-se em morte, mas não é ela o ambicionado.
Pudessemos nós olhar para o céu e ver apenas astros e um manto redondo azul, sem pensar sempre que existe uma mão nevoenta a toldá-lo...