Podes decidir ir ou ficar, falar ou estar calado. Mas lembra-te que mais vale não falares que dizer o impróprio e falar demais, a tentar explicar o que não tem explicação, a tentar evitar o mal que já se fez. O arrependimento não existe já, quase. É apenas a falta própria do que se teve, e a realização de que não se voltará a ter, a falarem.
Podes recordar ou viver. Mas lembra-te que recordações, apesar de poderem ser vividas e partilhadas, são cinza morta. E a cinza raramente se reacende.
Podes achar impossível, mas é por haver quem o ache que essa condição existe: por não sermos capazes de ir mais além , nem querermos fazê-lo. A vontade falta, mesmo quando o desejo se subrepõe. E o desejo sem vontade não passa de uma ideia sem pernas para andar.
O que dizer? Se não há nada que valha a pena, e se não é simples para acontecer, mais vale fechar a boca e abrir a alma.
"Deixar que seja a fuga do rato da Índia"!