16/11/2010

Deuses...

Esse motivo de fé originado pela nossa necessidade de abrigo sem covardia... Seremos nós feitos à sua imagem? Se é que, hipoteticamente, existe?
Não...
Nunca um ser poderia ser tão subjectivo, tão apático, tão imune ao que criou. Nunca um pai consegue não ser tocado pelo feito de um filho, por mais que o ignore. Nunca um ser perde a responsabilidade de um outro que criou...

Até faz sentido que um ser tão distante de tudo o que cria, se encontre nesse limiar frio, nesse azul que lhe entregámos para seu lar... O céu... Mas...
Um ser indeterminado não consegue chegar ao conhecimento total do determinado e projectá-lo numa escala tão infinitamente determinada. Apesar da perfeição do mais ínfimo detalhe, um ser tão superior não seria capaz de se auto recriar em nós; seria clonar-se, em nós, seres que o admiram? Não...
Essa nossa imagem de segurança, para a qual caminharmos, não sente, senão não nos faria sentir a dor, por ter experiência desta, mesmo que seja necessária a aprender: a sua inteligência superior, que não tem, formularia outra hipótese em vez da experimentação da dor. Não nos daria um mundo que não sabemos cuidar... Para quê? Era mais fácil não nos criar, já que não possuímos a sua inteligência suprema para entender o total paraíso que pisamos cada dia, como seus senhores... Os deuses não vivem no nosso mundo... Como o poderiam projectar sem o saberem nem percepcionarem, para algo que originam, mas que não tem o seu sentido?...
São imunes ao tempo, mas fazem-nos limitados a este. Seremos então à sua semelhança?
Talvez o supremo "Deus", seja aquele que entende o que o rodeia, que consegue respeitar e ser respeitado, que consegue falar e perceber o tempo, não dando por este envelhecer...
Se calhar, o real Deus, é aquele que originou os deuses que temos... Esse sim, que por ter sentimentos, os negou às suas criações, e estas, no seu erro de não sentirem, de serem tão apáticas, nos criaram a nós, seres limitados ao pensar e ao sentir, nada mais...
Se virmos a coisa de retrospectiva... No fundo, os deuses somos nós próprios, e não passa tudo de uma ilusão por mentes que pensaram sem limites...
Pensar sem limites, é pensar no vazio, é não ter ponto de partida para um qualquer a que se queira ou tente chegar... Nesse vazio, encontramos o limite, o assunto, e aí sim, começamos a pensar. Se até pensar é limitado, não há nada neste mundo, universo, nesta dimensão, que seja incompleto, ilimitado, infinito. Apenas o nosso conhecimento, começado por um vazio no pensamento a que tentamos dar uso e encontrar o todo...
Deuses... Ilusão tão iludida.