25/10/2010

Arte?!...

Arte é tudo aquilo que se viu, sentiu, expressou. Era assim quando me ofereceram o primeiro contacto com ela.
Arte era viver.
Fazer arte é tudo aquilo que consiste no processo de sentir e pensar-se o que se sentiu. Depois, expressá-lo da forma que nos dá a sensação de trabalho completo, de objectivo conquistado: olhar para as linhas, para a textura, a cor, o contraste, o brilho, as palavras, os gestos... A força dessa peça de arte provoca-nos de novo a lembrança e a sensação do que foi emoção.
Se a nós nos toca assim, temos esperança que consigamos passar a mensagem... Mas nem sempre.
Realmente agora, quem vive realmente, é realmente artista.
As pessoas que sentirem o mesmo que nós, mentem. Nem que seja o mais semelhante, se escolhem as nossas palavras, as nossas linhas, todos os nossos objectos de expressão sem uma única divergência, falharam: não sentiram, não pensaram - imitaram e esperam surpresa e aceitação. No fundo, glória de fundo doce. Mas só conseguem o amargo. Assim, já muita gente existe. Já não há quem copiar. E quem mais longe for na condição humana, mais surpresa desperta e mais glória arrecada. É fantástico, mas já ninguém pensa em sentir, nem ninguém se sente a pensar...
Afinal, que é isso?
Agora Arte não se pensa nem sente: apenas o plágio o faz. Pois apenas esse agora é arte; apenas esse foi pensado para se ter uma minima mancha de moda na testa. Rótulos de má qualidade; Apenas esse foi sentido como algo que leva ao extremo a condição humana, ao ponto de fazer os outros sentirem que estão por dentro da coisa...

Quando se fizer de novo arte, aplaudirei. Até lá, continuo a achar que o artista, agora, não passa de um vagabundo de esmola trincada sentado em trono de cartão, ou de um mendigo que trinca a esmola do outro e se senta na cadeira de plástico forrada a ouro.