01/07/2010

Paradoxos

"Uma luz apagou-se...

Foi o começo de um sono tranquilo...

Passeava por entre movimentos ondulantes de arbustos e brisas de maré fresca... Não sei o que procurava, mas algo me impulsionava para a frente.

Perdida num vazio, entre hipóteses e escolhas, decidi guardar uma na palma da mão e fazer a minha própria história, sozinha.

Mas afinal, somos seres sociais, que precisam de sangue derramado e facas a lacerar a carne dos próximos.

Será?

Não provoquei dor, tentei não deixar mais do que a sensação de algo que nos raspa a pele ao passar, suavemente, nessa multidão de gente que se fere com alegria e ama com ódio.

Mesmo assim, poucas foram as pessoas que tinham o meu ideal. Mesmo assim, muitas vezes vi meu sangue suspenso na ponta da minha pele e de uma navalha, como um fio que reflectia traição e arrependimento...

Continuei o meu caminho, mesmo depois de ver caminhos enevoados, derrocadas e saltimbancos roubarem o que é meu, sem saberem o que fazer com tal coisa...

Do nada a luz ergueu-se de novo. Tudo o que parecia estranho e oculto, tudo o que parecia impossível, voltou a ser uma leve aragem húmida de aroma a sal e o dançar de seres sem alma à minha volta.

Mal sabia que o pesadelo apenas acabara de começar.

Acordei? Não. Nasci para o meu sonho."