28/07/2010

Ódio

"Não tornarás!
Agora cuido das feridas que deixaste.

Não regressarás
Ao que deixaste para trás
Nesse momento de leviendade.

Mas pensarás
Que mais um truque de circo te dará,
Por ilusão do teu latim,
Mais um plano para regressares.

Sim, sim...
Não é novidade...
Fá-lo sempre que a realidade te baralha
Todo o esquema de uso e desuso.

Escumalha...

O teu lugar é a sargeta,
Junto dos que para lá lançaste
Hás-de fazer o teu lar
E deixa de tocar essa corneta
Em que dás vivas de glória...

Pobre vida a tua...
Pobre dono tem.
Quem souber a sua história
Terá pena, mas também desdém.

Irás ganir à lua
Irás polir as rochas com o corpo
Pobre vida a tua...
Que tem um dono tão torto...

É verdade, assim não te fizeram.
Implantaram-te em todos nós...
E tu mudaste...

Mas não é impossível apagar-te
Desfazer desse vital fio os nós
Antes que as Moiras o toquem.

A sargeta é o teu lugar,
Que te afogues lá.
Mais imundo que tu, não há.

Quiseram amar
E criaram-te;
E esqueceram-se que a amar
Te destroem.

Maçarico que queima;
Queimaduras que doem...
Finalmente te destruí."