09/06/2010

Para quem perceber

Posso sentir a minha pele a escamar de injustiça, posso sentir o meu corpo a partir para me libertar, posso até sentir que este não é o meu tempo e que estou na era errada.

Posso sentir que nada disto faz sentido e que é tudo um filme que todos os dias evolui.


Posso já nem querer viver mais certas imagens que me mostram.

Mas este é o meu filme e o pedaço de papel que tenho para pintar.


Ser um estranho perante nós mesmos é das poucas coisas que realmente nos podem deitar abaixo e ainda assim fazer-nos mais curiosos pelo que somos.

Ainda não achando que pertença aqui, sendo aqui um sítio qualquer em que me apresente diariamente, há momentos que dizem que sim, faço algo aqui. A deriva, até em mar aberto, tem fim.

Ainda achando que nada tem o que realmente me faz viver, em momentos de desespero, por vezes existem memórias que me dizem o contrário.

E tudo o que fui, continua em mim, mudando em pequenos passos. E tudo o que serei, será meu, em passos cada vez maiores.

Porque não devo ser a única a achar que o que realmente interressa está mais ao de cima do que qualquer coisa que mãos humanas possam trabalhar.

Ainda que não seja o mundo que queira, refugio-me no meu mundo, aquele em que as coisas fazem mais sentido, mesmo que não esteja sozinha.
Quem me dera que fosse esse o real, tanta vez quanta me apetece gritar por quem sofre ou fazer uma mudança para mudar o que está mal. Nem que a revolta seja pequena, soltei o espírito que assim mandou.

Porque as injustiças são demasiadas e crescentes. Porque o tempo não para nem tem o comando de voltar para trás. Ou achamos nós.

Porque todas as coisas que deixam saudade, têm tempo de ser feitas e passam a ser apenas momentos gravados.

Sejamos objectivos, apenas o bom deixa saudade, apenas o que é bom se quer.
Mas apeteceu-me. Não quero gravar mais, quero que existam cada dia desta longa metragem.

Desisto de ficar tempos perdidos a pensar no que se passou só para lembrar o mal. Quero usar essetempo para o que realmente dá gozo.

Desisto de ser só mais um alguém.

A partir de hoje acabou a deriva. Acabou todo o vazio e inércia de mente.
A partir de hoje, a minha liberdade é quem eu quero ser.

E nunca mais ninguém me dirá do que sou ou não capaz. Nunca mais ninguém terá esse poder.