06/04/2010

Quando acreditares

E quando acreditares, será tarde. E quando as palavras já não ecoarem, e o silêncio se fizer ouvir, perceberás que o rasto se apagou e o retorno não mais é possível. Tomarás conta de que deixaste tudo passar ao lado, exactamente quando tudo te pertencia e te estava nas mãos. Então saberás que, pela primeira vez, bebeste o soro da vida e sentiste os seus efeitos: primeiro, sem te aperceberes, tudo se encontra exactamente onde procuras e tudo parece ser fácil - foste pelo caminho errado; mais à frente, e depois, encontraste a primeira pedra que te fez derramar a primeira lágrima, e aí o límpido fácil deu lugar ao abstracto difícil de alcançar. A isso chama-se viver. Dizem que existem os bravos de alma que se negam a deixar que isto aconteça; não é genuinamente verdade: tropeçam e derramam várias lágrimas - de suor, de dor, de prazer... Mas mesmo assim, nunca desistem de se levantarem e deixar essa pedra para trás. Por mais que ela te magoe, ou por mais que te faça cair, não deixará de ser pedra, e tens o poder de não o querer ser. E assim farás tu também, tu que és meu reflexo, nesse limiar de realidade espelhada.