05/04/2010

Ponto de Abrigo

Eu falo, e quem ouve, me ouvirá
Desta vez,
Sem saber o que sinto
Por não haver palavras já
Para o descrever
E se o fizer, peço perdão, minto
Pois o que se sente dizia-se
Mas já ninguém diz, já não é para se dizer

Para quem me quiser ouvir
Peço desculpa
Para quem não quiser
Tarde de mais
Se todos os dias houver
Uma lágrima enxuta
Ou uma expressão de culpa
De ter abandonado o meu cais

Perdida e sem rumo
Nem sei qual é esta maré
Orientei-me por caminhos que não costumo
Não experimentei o rio com um só pé

De quem me segurava
Me desprendi
Quem me empurrava
Segui

Neste momento não há âncora ou corda
Corrente ou mão
Que me volte a encostar
Ao porto de abrigo, não
Ao quente abraço seguro onde possa ficar
Não há ou não descubro
Nesse azul infinito frio
Meu grande vazio
Que do negro solta o desespero
Profunda mágoa do perdido
Ponto de abrigo meu...