Ninguém te disse que era fácil entrar neste navio
E não sofrer a brusca passagem das tempestades
Alguém te disse
Que todas as noites a janela se fechava
Somente para que sonhasses descansado
Enquanto lá fora o mundo girava
E tu te perdias num sonho enclausurado
Mas
Ninguém te provou
Que todo o sonho é para ser sonhado
Não vivido
Eu provo-te o contrário
No dia em que for criança
E partilhar contigo a infância
De coisas leves e belas
Ingenuidade pintada em infinitas telas
No dia em que for velha
E partilhar contigo o final
De alegrias e tristezas
Sabedoria e proezas
No dia em que um mundo
Se unir a outro mundo
Sem que nada os limite
Em que sejam "um para o outro"
Porque és ponto assente
Dessa linha torta
De altos e baixos
Que quero que prolongues
Comigo
Esse dia
Guarda-o
Pois saberás o que és para mim