06/04/2010

Ninguém te disse

Ninguém te disse que era fácil entrar neste navio
E não sofrer a brusca passagem das tempestades

Alguém te disse
Que todas as noites a janela se fechava
Somente para que sonhasses descansado
Enquanto lá fora o mundo girava
E tu te perdias num sonho enclausurado

Mas

Ninguém te provou
Que todo o sonho é para ser sonhado
Não vivido

Eu provo-te o contrário


No dia em que for criança
E partilhar contigo a infância
De coisas leves e belas
Ingenuidade pintada em infinitas telas

No dia em que for velha
E partilhar contigo o final
De alegrias e tristezas
Sabedoria e proezas

No dia em que um mundo
Se unir a outro mundo
Sem que nada os limite
Em que sejam "um para o outro"

Porque és ponto assente
Dessa linha torta
De altos e baixos
Que quero que prolongues
Comigo

Esse dia
Guarda-o
Pois saberás o que és para mim